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Microplásticos encontrados no cérebro humano por contaminação "silenciosa"

É mais do que sabido que estamos vivendo tempos difíceis do ponto de vista ambiental. E, também não é novidade que, grande parte disso está associada à ações humanas, ou seja, nós com nossas atitudes cruéis estamos prejudicando, não somente a nossa vida, mas a dos nossos descendentes. 😢

Pesquisadores da USP, em parceria com a FAPESP e uma ONG holandesa, detectaram partículas de microplástico no bulbo olfatório de oito indivíduos que residiam em São Paulo há, pelo menos, cinco anos. O bulbo olfatório é uma porta de entrada crítica, pois conecta diretamente o nariz ao cérebro. A contaminação envolveu diversos tipos de plástico, incluindo polipropileno (44%), polietileno, poliamida, entre outros .

Outro estudo publicado na Nature Medicine analisou amostras de 47 cérebros humanos, comparando com fígado e rins. Os principais achados foram:


  • Concentrações nas amostras cerebrais foram de 7 a 30 vezes maiores que as observadas no fígado e nos rins.

  • O polietileno foi o polímero mais identificado, chegando a representar cerca de 75% das partículas detectadas .

  • A média encontrada foi de aproximadamente 4.800 µg/g de tecido — ou seja, o equivalente a uma colher de plástico no cérebro de cada pessoa.


Dentro das amostras analisadas, os cérebros de pessoas com diagnóstico de demência apresentaram até 10 vezes mais partículas do que os de pessoas sem a condição, e, Embora não seja possível determinar a causalidade, os pesquisadores destacam que podem haver dois fatores:


  • Um possível acúmulo acentuado em cérebros vulneráveis.

  • Ou mesmo que a demência facilite o acúmulo dessas partículas devido à barreira hematoencefálica alterada (estrutura cerebral que separa o sangue do sistema nervoso central, regulando o que entra e sai do cérebro).

    A concentração de microplásticos nos cérebros analisados aumentou em cerca de 50% entre 2016 e 2024. Esse crescimento espelha o incremento exponencial da poluição plástica no ambiente, reforçando a urgência do problema .


Como os microplásticos chegam ao cérebro?


As vias de entrada são variadas:


  • Ingestão de alimentos e bebidas contaminados.

  • Inalação de ar poluído, com nanotamanho suficiente para ultrapassar a barreira hematoencefálica.

  • Possível via olfatória direta, dando acesso rápido ao bulbo olfatório. Esse percurso diminui a eficácia defensiva da barreira protetora cerebral .

    Comer ultraprocessados potencializa essa contaminação cerebral:

  • Embalagens plásticas e processos industriais aumentam a contaminação por polietileno, o principal microplástico identificado .

  • Ingredientes e aditivos nos ultraprocessados são fontes diretas de exposição diária a micro- e nanoplásticos.


    Apesar de ainda incerto o impacto específico no cérebro, estudos associam microplásticos a:


  • Inflamação e estresse oxidativo.

  • Interferência na circulação cerebral e liberação de proteínas neurotóxicas.

  • Possível relação com condições neurodegenerativas, doenças cardiovasculares e câncer.


    A presença de microplásticos no cérebro exige pesquisas urgentes sobre efeitos neurológicos e rotas de entrada/eliminação .


  • Reduzir exposição: evitar alimentos ultraprocessados, minimizar uso de plástico na cozinha, usar recipientes de vidro/metal, filtrar água.

  • Mudanças legislativas: maior regulamentação de materiais plásticos, incentivo à reciclagem e inovação de embalagens sustentáveis


    Separei uma notícia para vocês, que fala mais um pouco sobre esse assunto:



    📄 Estudos completos

    1. “Microplastics in the Olfactory Bulb of the Human Brain” – USP (JAMA Network Open, 2024) (PDF) Microplásticos no bulbo olfatório do cérebro humano

    Bioacumulação de microplásticos em cérebros humanos falecidos | Medicina da Natureza

 
 
 

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